Sua estreia como atriz foi em 2001 como protagonista da minissérie da Rede Globo, "Presença de Anita"
Mel Lisboa garante que não é a ovelha negra da
família. Mas diz que sempre teve sinal verde dos pais para transgredir.
Daí as diversas tatuagens espalhadas pelo corpo e as escolhas por
trabalhos com nudez e despudor, como a a lolita Anita ou pornochanchada
na Boca do Lixo.
Siga o iG Gente no Twitter e receba as últimas notícias dos famosos
Mas esta figura, com um quê de transviada, se desmancha quando fala.
Com pele de bebê e olhos azuis vivos, sua voz é doce e suave. E os
cabelos agora ruivos fazem parte de um outro projeto ousado: interpertar
Rita Lee no musical "Rita Lee Mora ao Lado", de
Henrique Bartsch.
Tomando um cafezinho, Mel experimentava roupas em uma loja de moda para
gestantes, em São Paulo, onde adquiriu peças para sua nova silhueta.
“
A minha vida está estruturada, tenho minha família, minha casa, já sou mãe, isso me faz mais tranquila"
A gaúcha de 30 anos está grávida de seis meses de seu segundo filho,
Clarice, também do relacionamento com o músico
Felipe Roseno. “É uma gravidez mais tranquila que a primeira, não estou ansiosa. Diferente de quando eu tive o
Bernardo (3 anos), hoje a minha vida está estruturada”, conta ela ao
iG. Confira o bate-papo:
Em 2004, Mel Lisboa posou nua para a revista "Playboy"
“
A minha trajetória como atriz e profissional é atípica, é uma história meio torta, sempre foi"
iG: Você começa a ensaiar no segundo semestre. Por que já incorporou o visual da Rita Lee?
Mel Lisboa: Foi natural, fiquei com vontade de mudar de cor de
cabelo e a princípio não por causa da Rita. Já fiquei ruiva outras vezes
e eu me gosto assim. Aí juntou a fome com a vontade de comer. Eu já
estava com a franja por causa da (peça) “Cine Camaleão”, que também tem
esse visual. Aí pensei: ‘Por que não já me ver um pouco mais Rita?’ É um
processo lento porque não adianta eu querer virar Rita do dia pra noite
que não vou virar. Eu tenho que, aos poucos, ir incorporando,
entendendo e me ver ruiva já é alguma coisa pra mim.
Foto: Eder Bruscagin
Na novela "Como uma Onda", em 2003, Mel interpretou Lenita Paiva, uma garota rica e mimada
iG: Não tem problema tingir o cabelo durante a gestação?
Mel Lisboa: Depois da 20ª semana, não tem problema. Mas depende
do médico. Tem uns que dizem que não pode, o meu já é mais aberto a
essa escolha com uma tintura com menos amônia.
iG: Você já encontrou com a Rita Lee? Teve permissão dela para fazer o musical?
Mel Lisboa: Não a conheço, mas ela sabe e já autorizou. Isso pra mim foi muito bacana, fiquei muito feliz.
iG: Como é a preparação para compor a Rita Lee?
Mel Lisboa: Aos 30 anos, com a idade que estou hoje, ela já
estava em plena carreira solo, muito bem, começando a ter filhos também.
Ela já tinha o Beto (Lee), então consigo traçar paralelos. É mais fácil
encontrar primeiro a Rita por essa fase e depois tentar achar as
outras. Além disso, no tempo que eu tenho livre, eu pesquiso
entrevistas, muitos clipes, muitos shows. E estou estourando meus dedos,
tocando violão todos os dias.
Em 2007, Mel se tornou apresentadora do canal GNT e lançou o livro “Mundo Afora - Diário de Bordo de Mel Lisboa”
“
Se
eu ficar só no ‘comercialzão’, fico infeliz e pior, eu começo a fazer o
meu trabalho mal feito porque eu sou muito movida por paixão"
iG: Você tem esse lado ‘rock’n’roll’ da Rita Lee?
Mel Lisboa: A Rita é de uma geração que eu não vivi. Os anos
1960, 1970, a coisa política das drogas, das artes. Mas a minha
referência é interessante porque eu tenho pais bem mais alternativos.
Meu pai é compositor, é músico, e minha mãe também, é astróloga, são
pessoas mais hippies. Então, isso não é muito distante de mim. Agora, o
que é uma atitude rock’n’nroll hoje em dia? É tomar drogas? Acho que
não. Tem muita gente que acha porque eu tenho muitas tatuagens... Não
sou careta, nem quero ser. Mas isso não significa que eu seja louca.
iG: Como foi gravidez do Bernardo e como está sendo a da Clarice?
Mel Lisboa: As duas foram tranquilas, sem dificuldade, sem
enjoo. Tive um microsangramento nesta gestação, fiquei ansiosa e fui
direto para o hospital. Meu médico disse que não era nada grave, que
deve ter sido algum esforço que gerou isso. Foi uma gravidez tranquila,
mas com algumas coisas diferentes.
iG: O que está diferente nesta gestação?
Mel Lisboa: Estou menos ansiosa e não só por ser a segunda
gravidez. Na do Bernardo, eu conheci o Felipe (Roseno) e em dois meses a
gente engravidou. Então, não era só uma gravidez, era uma mudança
inteira de vida, eu estava casando, comprando casa, a minha vida estava
mudando inteiramente. Já agora, a minha vida está estruturada, tenho
minha família, minha casa, já sou mãe, isso me faz mais tranquila.
iG: Engordou muito na primeira? Como voltou à forma?
Mel Lisboa: Engordei menos nesta gravidez. Nesta altura na
gravidez do Bernardo, eu estava com cinco quilos a mais. Apesar de eu
ter pouco seio, eu produzia bastante leite e doei leite até os sete
meses do Bernardo, eu tenho sorte de ser uma ‘vaquinha leiteira’. E como
amamentei um ano, foi importante no processo de perder peso. Não fiz
nenhuma dieta porque estava mais preocupada em poder amamentar meu
filho, em estar saudável. Eu pensava: ‘ah, se precisar emagrecer para um
trabalho, aí eu faço uma dieta’. Aconteceu é que eu perdi naturalmente.
Perdi até mais que os 15 quilos que ganhei e quando eu vi, já estava
com meu corpo de volta.
Foto: Eder Bruscagin
Em 2008, prestes a dar à luz seu primeiro filho, Mel Lisboa se casou com o músico Felipe Roseno
“
O grande desejo desta gravidez é o picolé de brigadeiro, se deixar, como vários por dia"
iG: Mas você faz exercícios?
Mel Lisboa: Faço natação e hidroginástica, mas faz duas semanas
que eu não apareço (risos). As atividades que tenho feito são hidro,
natação e pilates. Se eu puder, faço uma vez por semana cada um, três
vezes por semana, mas não é sempre que eu consigo.
iG: Tem desejos nesta gravidez?
Mel Lisboa: O grande desejo desta gravidez é o picolé de
brigadeiro, estava até tomando um antes de vir pra cá. Eu sempre gostei
de picolé, mas nesta gravidez, se deixar, eu como vários por dia. E
desde a gravidez do Bernardo que eu tenho mania por limão, isso foi uma
coisa que ficou da primeira gravidez e permaneceu nesta também.
Na pele de Dalila, protagonizou a minissérie "Sansão e Dalila", da Rede Record, em 2011
“
Na
Globo eles não estavam me usando, não tinham interesse em mim. Não
adianta ficar contratada e não trabalhar, cair no ostracismo
iG: Como foi passar por uma gravidez ectópica (fora do útero)? Você imaginou que demoraria mais tempo para engravidar?
Mel Lisboa: Quando eu resolvi liberar de novo para engravidar,
eu trabalhei a minha cabeça: ‘pode demorar’. Porque quando você quer
engravidar e não vem – tenho várias amigas passando por isso – é muito
angustiante. Então, fiquei apreensiva, com medo que demorasse e no
momento que eu ficasse, fiquei com medo de ter uma segunda gravidez
ectópica justamente por já ter tido uma. Aí, se eu tivesse outra, teria
que tirar a outra tuba (uterina) e aí teria que engravidar por
inseminação.
iG: Você está emendando uma peça na outra, está longe da TV.
Imagino que você não tenha essa ânsia de construir uma imagem para a
publicidade.
Mel Lisboa: Acho que cada um tem um caminho e uma história.
Dentro das coisas que eu construí e do que veio até mim, fiz opções, fui
vendo o que me movia. Se a pessoa tem uma levada na carreira diferente
da minha, eu não tenho absolutamente nada contra, cada um com sua
história. A minha trajetória como atriz e profissional é atípica, não
acontece com todo mundo, é uma história meio torta, sempre foi. E eu vou
lindando com isso da forma que me preenche melhor. Assim eu fico mais
feliz, mais sossegada e eu me sinto mais completa.
No cinema, atuou nos filmes "A Cartomante"
(2003), "O Casamento de Romeu e Julieta" (2005), "Sonhos e Desejos"
(2006), e "Ao Vivo" (2008)
“
Não preciso ser rica, mas gosto de ter meu dinheiro e não passar aperto
iG: É difícil ganhar dinheiro longe da televisão?
Mel Lisboa: A gente precisa de dinheiro para pagar as contas,
comprar as coisas, poder viajar e tal. Se eu ficar só no
‘comercialzão’, fico infeliz e pior, eu começo a fazer o meu trabalho
mal feito porque eu sou muito movida por paixão. Busco outras coisas que
me apaixonam e que não me dão dinheiro, mas que me movam para eu poder
equilibrar. Para poder depois fazer alguma que não seja tão apaixonante,
artisticamente falando, mas que me dê um dinheiro, que pague as minhas
contas, para que eu possa dar uma vida digna para os meus filhos. Não
preciso ser rica, mas gosto de ter meu dinheiro e não passar aperto.
iG: Como foi sua experiência na Globo?
Mel Lisboa: Na Globo eles não estavam me usando, não tinham
interesse em mim. Não adianta ficar contratada e não trabalhar, cair no
ostracismo. Não é só dinheiro, a carreira é construída de um monte de
coisas. A televisão serve para isso, para você poder mostrar seu
trabalho. É o veículo que tem maior popularidade, é uma vitrine. Então,
não adianta você ser contratada por uma televisão e não poder mostrar
seu trabalho. A minha ida para Record foi muito boa. Sempre fui muito
bem tratada na Record, sinto como se eu pudesse chegar mais nas pessoas
de uma forma geral.
iG: Até quando vai seu contrato na Record?
Mel Lisboa: Estou contratada até 2015, o que é muito bom porque
me garante esse dinheiro mensal e raros artistas têm isso. Então, posso
optar por fazer a minha peça lá na Cracolândia (‘Cine Camaleão – A Boca
do Lixo’), ou outro projeto que não vai me dar dinheiro, e sim que vai
me acrescentar artisticamente, que vai me dar outros benefícios.
Agradecimento: Loja Zazou
Av. Juriti, 433 - Moema - São Paulo
Com dez peças no currículo, Mel encerra a
temporada paulistana de "Cine Camaleão" e se prepara para viver Rita Lee
em um musical, no segundo semestre.