Cantora usou dreadlocks no cabelo durante apresentação em São Paulo
Rita Lee apareceu de novo visual durante um show em São Paulo no final da noite de sexta-feira (12). A roqueira, que levantou o público que lotou o WTC Golden Hall, usou alguns dreadlocks em seu cabelo. No show, Rita cantou clássicos de sua carreira como "Chega Mais", "Ovelha Negra", "Vírus do Amor", "Flagra" e "Atlântida".
Durante a apresentação, ela elogiou o marido, o músico Roberto de Carvalho. "Fizemos músicas, filhos lindos. Estamos casados há 35 anos. No nosso meio isso é raridade", contou, antes de trocar um selinho com o guitarrista.
Durante o show, RIta Lee deu um selinho no marido, o músico Roberto de Carvalho
Texto e fotos de Guilherme Samora
Crítica
Era uma vez uma menina brasileira improvável – nome americano, olhos claros, sardas, cabelos cor de milho –, fazendo música brasileira improvável – rock ‘n’ roll, música clássica, bolero, solo de tampinha de Coca-Cola. Ainda mais improvável: deu tudo certo, tão certo que Rita Lee Jones foi primeiro sucesso de crítica, depois de público. Não deixa de ser irônico e injusto que as coisas tenham acontecido precisamente nestes termos, “primeiro” e “depois”. Rita teria sido consagrada mãe do robusto roque brasileiro – com todas as infinitas possibilidades do abrasileiramento da palavra “rock” –, se justamente no momento de maior afirmação do gênero no país, os anos 80, ela não estivesse nadando em outra praia. Como estava, ficou relegada à categoria das tias-sobre-as-quais-não-se-gosta-de-falar.
A história, sempre ela, há de fazer-lhe justiça, amarrando as duas pontas da carreira dessa moça que sempre gostou de farra. Primeiro, a farra levava o nome coletivo de Os Mutantes, banda de rock que Rita levou adiante com os irmãos Dias Baptista, Arnaldo e Sérgio. Juntos, em canções como “Ando meio desligado” e “El justiceiro”, os três arrombaram a festa da linha evolutiva da MPB, na companhia de seus incentivadores Caetano Veloso e Gilberto Gil. Foi a época do sucesso de crítica, a época da Tropicália (posteriormente redescoberta e cultuada por americanos como Kurt Cobain e Beck). Depois, Rita percebeu que os caminhos dos Baptista se afastavam do grande público e – solo, com o Tutti Frutti ou com o marido Roberto de Carvalho – passou a flertar cada vez mais intensamente com ele em finas canções de apelo fácil, como “Mania de você” ou “Lança-perfume”. Entre o “primeiro” e o “depois”, porém, houve uma Rita Lee capaz de fugazmente conciliar as ambições artísticas da juventude com as ambições comerciais da maturidade. Foi a Rita Lee de “Ovelha negra”, sua carta de intenções artísticas.
Arthur Dapieve
Os fãs de Rita Lee podem conferir na internet um trecho de uma música inédita da roqueira, que está trabalhando em seu novo disco ao lado do parceiro musical e marido, Roberto de Carvalho.
No vídeo, Rita está gravando a canção “As Loucas”. “Eles amam as loucas, mas se casam com outras”, diz o refrão. Na música, ela ainda enúmera: “Loucas molhadas, loucas taradas, loucas fetiche, loucas de haxixe.”
Rita Lee, que está gravando um novo disco, mostrou aos fãs uma de suas composições inéditas, “Paradise Brasil”.

No vídeo, publicado na internet pela equipe da roqueira, ela aparece no estúdio, cantando um trecho da música, composição dela e do marido e produtor musical, Roberto de Carvalho. O disco deve ser lançado ainda esse ano.
O trabalho mais recente de Rita em CD é o “Multishow ao Vivo”, lançado em 2009.
Eu sempre quis ser uma estrela de cinema, vocês sabem…”, apostava Rita Lee pouco depois de subir ao palco na primeira noite do Paulínia Fest, no início da madrugada desta sexta-feira (8). Continuou: “… sou uma canastrona”. O contexto era adequado, afinal, ela abria uma programação que acontece paralelamente à quarta edição do festival de cinema da cidade: na plateia, parte dos presentes havia migrado das poltronas do Theatro Municipal para ouvi-la.
No cinema é difícil dizer, mas com o microfone o adjetivo mais adequado para cantora não seria canastrona. Suas performances e divagações fazem borbulhar comentários como “olha que figura” nos arredores; ou semelhantes. Nenhuma novidade, apenas seguindo o exotismo de praxe que se espera de uma apresentação de Rita Lee: marca que continua agradando quem a assiste.
Com atraso de uma hora, iniciando aproximadamente 00h30, Rita Lee foi à década de 1970 e escolheu “Agora só falta você” para abrir a setlist. Não foi necessário muito tempo para notar que as projeções visuais seriam um ponto importante durante toda à apresentação – como foi -, com imagens que iam do singelo ao psicodélico entre as músicas.
Quem esperava músicas como “Desculpe o auê”, “Doce Vampiro”, “Lança Perfume”, “Ando Meio Desligado” “Hard Day’s Night” (cover dos Beatles) e “Flagra”, pôde cantar. Mas o destaque ficou com “Ovelha Negra”, que ganhou uma versão estendida, de aproximadamente dez minutos, que Rita Lee aproveitou para tentar fazer um resumo da condição de ovelha negra na sua família, sempre acompanhada pelo instrumental da música.
Ao completar uma hora de show, despediu-se do público. Na volta, após os pedidos de bis, cantou mais três músicas, fechando o show com “Erva Venenosa”. A cantora, que não lança um disco de inéditas desde 2003, trabalha em um novo álbum, que se chamará “Macumbinha” ou “Zzyzx”; ainda a decidir.
A cada ano que passa, quem acompanha o circuito de festivais brasileiros questiona: qual será o limite para o Festival de Paulínia? Em 2011, o evento, que começa nesta quinta-feira (7), une cinema a medalhões da música( Rita Lee , Caetano Veloso , Gilberto Gil , distribui prêmios faraônicos (R$ 800 mil) e caminha para ocupar o posto de festival mais badalado do Brasil.Entre quinta (7) e sábado (9), apresentações atrás do Theatro (sim, com “th”) Municipal irão suceder a programação cinematográfica. No primeiro dia, Rita Lee. No segundo, Caetano Veloso e Seu Jorge. No terceiro, Gilberto Gil e Vanessa Da Mata. Boa opção também para quem é da capital, já que Paulínia dista apenas 119 km de São Paulo.